Escoliose e dorso curvo – Coluna vertebral

Escoliose e dorso curvo – Coluna vertebral
28 de janeiro de 2010 AlexKB

A coluna vertebral é uma estrutura óssea flexível formada por uma sucessão de ossos denominados vértebras, as quais se superpõem uma sobre a outra. É dividida em 5 regiões: cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea. A estabilidade da coluna é proporcionada pelos músculos que se localizam em suas laterais, sendo chamados de paravertebrais.

 

 

As vértebras totalizam-se em 33, sendo que 24 são móveis e 9 imóveis. As primeiras 24 encontram-se separadas por um disco articular fibrocartilaginoso, e as outras 9 encontram-se agrupadas. As vértebras recebem o nome da região onde estão localizadas, sendo que temos: 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 5 coccígeas.
A função da coluna vertebral é sustentar o corpo, sendo, ainda, superfície de inserção para músculos e costelas. Possui um certo grau de flexibilidade, permitindo movimentos de tronco. Os planos dos movimentos da coluna são:
  • Sagital, responsável pela flexo-extensão;
  • Frontal, responsável pela inclinação lateral;
  • Transversal, responsável pela rotação.


    A coluna vertebral quando analisada em vistas anterior ou posterior, possui formato retilíneo e quando analisada de perfil possui 4 curvaturas fisiológicas no plano antero-posterior, as quais são denominadas por:

  • Lordose Cervical, levemente anterior;
  • Cifose Dorsal, levemente posterior;
  • Lordose Lombar, levemente anterior;
  • Sacral, levemente posterior.
    Estas curvaturas podem estar aumentadas ou diminuídas, nesses casos recebem classificação patológica, podendo provocar deformidades posturais, e dores acentuadas.
    POSTURA
    Segundo o Comitê de Postura da American Academy of Orthopaedic Sugerous: “Postura define-se geralmente como o arranjo relativo das partes do corpo. A boa postura é o estado de equilíbrio muscular e esquelético que protege as estruturas de suporte do corpo contra lesão ou deformidade progressiva independentemente da atitude (ereta, deitada, agachada, encurvada), nas quais essas estruturas estão trabalhando ou repousando. Sob tais condições os músculos funcionam com mais eficiência, e posições ideais são proporcionadas para os órgãos torácicos e abdominais. A má postura é uma relação defeituosa entre as várias partes do corpo que produz uma maior tensão sobre as estruturas de suporte, e onde ocorre um equilíbrio menos eficiente do corpo sobre sua base de suporte”, Kendal, 1995.
    Infelizmente a incidência é alta para a má postura, sendo que cada vez mais encontramos na sociedade um grande número de pessoas com problemas posturais.
    Às vezes, o problema não está na estrutura física da coluna, mas sim na sua flexibilidade, limitando os movimentos da mesma.
    eformidades podem ter origem hereditária ou se desenvolver a partir de influências ambientais, padrões culturais da civilização moderna e sobrecargas sobre o corpo humano, principalmente quanto às atividades repetitivas, especializadas e excessivas.

    DORSO CURVO

    É o aumento da curvatura dorsal fazendo com que a cabeça e os ombros fiquem anteriorizados. As causas são de origem ambiental e postural, sendo que em adolescentes é devida a posição em que desempenha suas atividades, principalmente na escola e quando realiza seus deveres de casa, e no adulto, é decorrente de uma atitude ou postura profissional.

    Nesse caso, a má postura causa: retração dos músculos intercostais, peitoral, serrátil, elevador da escápula e trapézio superior; e, alongamento e fraqueza dos músculos eretores da coluna e retratores da escápula, causando muita dor e incapacidade, caso o problema não seja tratado.
    Para diagnosticar o problema, a pessoa deve consultar um médico que prescreva um tratamento adequado para o quadro patológico. O tratamento pode ser:

  • Conservador:
    1. Fisioterápico: é realizada cinesioterapia e alongamento, visando o fortalecimento dos músculos da região posterior e alongar os da região anterior, diminuindo a cifose torácica.
    2. Colete de Milwaukee: reduz a cifose torácica, e só é indicado em casos de inclinação igual ou inferior a 10 °.
  • Cirúrgico: é indicado para adultos, em casos em que haja deformidade muito acentuada, dolorosa ou incapacitante, ou ainda, em casos com déficit respiratório.

    ESCOLIOSE
    É uma curvatura lateral da coluna, com flexão lateral e rotação das vértebras. Essa deformidade ocorre com mais freqüência na adolescência, podendo levar a anormalidades estruturais na pelve, vértebras e caixa torácica. Pode ocorrer nas regiões: cervical, torácica ou lombar da coluna. Se não for detectada e tratada durante os anos de crescimento, pode levar a deformidades graves prejudicando muito a aparência e provavelmente encurtando a expectativa de vida. 0
    Pode ser classificada em:

  • Estrutural:
    é a curvatura lateral e irreversível com a rotação das vértebras fixada, não pode ser corrigida por posicionamento ou esforço voluntário, quanto maior a curvatura maior é a quantidade de rotação da vértebra. A inclinação do tronco para frente produz uma giba posterior (ver fig. 5) na região torácica no lado convexo da curva devido a rotação das vértebras e caixa torácica. a compressão das costelas ocorre no lado côncavo da curvatura, e a separação das costelas ocorre no lado convexo; resultado total, que é acentuado com inclinação para frente, é a proeminência das costelas e escápula posteriormente no lado convexo da curvatura.

     

  • Etiologia:
    a) Idiopática – 75 a 85% dos casos. Geralmente adolescentes e do sexo feminino. Teoria das possíveis causas: mal formação óssea durante o desenvolvimento, fraqueza muscular assimétrica, má postura.
    b) Neuromuscular – 15 a 20% dos casos. Causas neuropatológicas (p.ex. PC), miopatológicas (p.ex. distrofia muscular).
    c) Osteopática – ex: hemivértebra (falta da metade de uma vértebra na formação), raquitismo, deslocamento da coluna etc.

     

  • Não-estrutural ou funcional:
    é a curvatura lateral reversível de posicionamento ou dinâmica, na qual não existem alterações estruturais ou rotacionais das vértebras; a correção pode ser através de inclinação para frente ou para o lado, alterações na posição e alinhamento da coluna, contração muscular. Em decúbito dorsal a curva desaparece e é também chamada de escoliose postural.

     

  • Etiologia:
    a) Má postura, tanto sentado quanto em pé deslocando o peso do corpo para um lado;
    b) Espasmo muscular;
    c) Dor muscular devido a compressão de raiz nervosa;
    d) Discrepância no comprimento das pernas.
    O formato das curvas pode ser em C, geralmente descompensada, um ombro mais alto no lado convexo e o quadril mais alto no lado côncavo; ou em S: mais comum em idiopáticas, geralmente uma curvatura torácica a direita e lombar a esquerda. O ombro fica alto no mesmo lado do quadril alto.

    Quanto mais grave a curvatura maior é a rotação, maior o impacto e alterações nos sistemas cardiopulmonares, como diminuição da capacidade pulmonar e hipertrofia do coração devido a hipertensão pulmonar.
    A medida da escoliose é feita pelo método de Cobb, que é feito traçando-se uma linha perpendicular à margem superior da vértebra que mais se inclina na direção da concavidade, e outra na borda inferior da vértebra com maior angulação na direção da concavidade. O ângulo dessas linhas que se transeccionam é notado e registrado. O exemplo da aplicação do método de Cobb está na figura abaixo:

    A gravidade da escoliose é diretamente proporcional à angulação da curva. Sendo assim, sua classificação é feita da seguinte maneira:

  • Escoliose leve: menos de 20º. As menores de 10º são consideradas normais e não requerem tratamento.
  • Moderada: 20 a 40º.
  • Grave: 40 a 50º ou mais.

    Para diagnosticar o problema, a pessoa deve consultar um médico que prescreverá o tratamento.
    Este pode ser:

  • Conservador:
    retarda a progressão da deformidade. O método a ser utilizado depende da localização, gravidade, idade e da progressão da deformidade. É geralmente indicado para curvaturas entre 18 e 40°.
    Os métodos utilizados são:
    1. Colete de Milwaukee
    2. Fisioterapia: cinesioterapia e alongamento para corrigir as descompensações musculares. Atualmente é muito indicado o tratamento postural do tipo RPG, onde é aplicado alongamento em cadeia, tendo ótimo resultados em adolescentes.

     

  • Cirúrgico:
    geralmente para curvaturas não tratáveis com os métodos conservadores, esteticamente inadequadas e com dor insuportável. Nesse caso também é indicado o tratamento fisioterápico, pré e pós cirúrgico. No pré, é realizada cinesioterapia para alongar as estruturas retraídas, melhorar a função pulmonar e fortalecer a musculatura do tronco. No pós, o paciente é colocado em tração esquelética, necessitando da intervenção de exercícios.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
    1. CALAIS-GERMAN, B. Anatomia para o movimento. São Paulo, Manole, 1992.
    2. KENDALL, H. O. Músculos- Provas e Funções. São Paulo, Manole, 1995.
    3. KNOPLICH,J. Enfermidades na coluna vertebral. São Paulo, Panamed, 1983.
    4. LAPIERRE, A. A reeducação Física. São Paulo, Manole, 1980.
    5. PEARCE, E. Manual de Anatomia y Fisiologia. Barcelona, Elicien, 1981.
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