Dezembro de 2000
ESCOLIOSE
E DORSO CURVO
COLUNA VERTEBRAL
A coluna vertebral é uma estrutura óssea flexível formada por uma sucessão de
ossos denominados vértebras, as quais se superpõem uma sobre a outra. É dividida
em 5 regiões: cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea. A estabilidade
da coluna é proporcionada pelos músculos que se localizam em suas laterais,
sendo chamados de paravertebrais.
As vértebras totalizam-se em 33, sendo que 24 são móveis
e 9 imóveis. As primeiras 24 encontram-se separadas por um disco articular fibrocartilaginoso,
e as outras 9 encontram-se agrupadas. As vértebras recebem o nome da região
onde estão localizadas, sendo que temos: 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares,
5 sacrais e 5 coccígeas.
A função
da coluna vertebral é sustentar o corpo, sendo, ainda, superfície de inserção
para músculos e costelas. Possui um certo grau de flexibilidade, permitindo
movimentos de tronco. Os planos dos movimentos da coluna são:
Sagital,
responsável pela flexo-extensão;
Frontal,
responsável pela inclinação lateral;
Transversal,
responsável pela rotação.
A coluna vertebral quando analisada em vistas anterior ou posterior, possui
formato retilíneo e quando analisada de perfil possui 4 curvaturas fisiológicas
no plano antero-posterior, as quais são denominadas por:
Lordose Cervical,
levemente anterior;
Cifose Dorsal,
levemente posterior;
Lordose Lombar,
levemente anterior;
Sacral, levemente
posterior.
Estas curvaturas
podem estar aumentadas ou diminuídas, nesses casos recebem classificação patológica,
podendo provocar deformidades posturais, e dores acentuadas.
POSTURA
Segundo o Comitê de Postura da American Academy of Orthopaedic Sugerous: "Postura
define-se geralmente como o arranjo relativo das partes do corpo. A boa postura
é o estado de equilíbrio muscular e esquelético que protege as estruturas de
suporte do corpo contra lesão ou deformidade progressiva independentemente da
atitude (ereta, deitada, agachada, encurvada), nas quais essas estruturas estão
trabalhando ou repousando. Sob tais condições os músculos funcionam com mais
eficiência, e posições ideais são proporcionadas para os órgãos torácicos e
abdominais. A má postura é uma relação defeituosa entre as várias partes do
corpo que produz uma maior tensão sobre as estruturas de suporte, e onde ocorre
um equilíbrio menos eficiente do corpo sobre sua base de suporte", Kendal, 1995.
Infelizmente a incidência é alta para a má postura, sendo que cada vez mais
encontramos na sociedade um grande número de pessoas com problemas posturais.
Às vezes, o problema não está na estrutura física da coluna, mas sim na sua
flexibilidade, limitando os movimentos da mesma.
eformidades podem ter origem hereditária ou se desenvolver a partir de influências
ambientais, padrões culturais da civilização moderna e sobrecargas sobre o corpo
humano, principalmente quanto às atividades repetitivas, especializadas e excessivas.
DORSO CURVO
É o aumento
da curvatura dorsal fazendo com que a cabeça e os ombros fiquem anteriorizados.
As causas são de origem ambiental e postural, sendo que em adolescentes é
devida a posição em que desempenha suas atividades, principalmente na escola
e quando realiza seus deveres de casa, e no adulto, é decorrente de uma atitude
ou postura profissional.
Nesse caso,
a má postura causa: retração dos músculos intercostais, peitoral, serrátil,
elevador da escápula e trapézio superior; e, alongamento e fraqueza dos músculos
eretores da coluna e retratores da escápula, causando muita dor e incapacidade,
caso o problema não seja tratado.
Para diagnosticar o problema, a pessoa deve consultar um médico que prescreva
um tratamento adequado para o quadro patológico. O tratamento pode ser:
Conservador:
1. Fisioterápico: é realizada cinesioterapia e alongamento, visando o fortalecimento
dos músculos da região posterior e alongar os da região anterior, diminuindo
a cifose torácica.
2. Colete de Milwaukee: reduz a cifose torácica, e só é indicado em casos de
inclinação igual ou inferior a 10 °.
Cirúrgico:
é indicado para adultos, em casos em que haja deformidade muito acentuada, dolorosa
ou incapacitante, ou ainda, em casos com déficit respiratório.
ESCOLIOSE
É uma curvatura lateral da coluna, com flexão lateral e rotação das vértebras.
Essa deformidade ocorre com mais freqüência na adolescência, podendo levar a
anormalidades estruturais na pelve, vértebras e caixa torácica. Pode ocorrer
nas regiões: cervical, torácica ou lombar da coluna. Se não for detectada e
tratada durante os anos de crescimento, pode levar a deformidades graves prejudicando
muito a aparência e provavelmente encurtando a expectativa de vida. 0
Pode ser classificada em:
Estrutural:
é a curvatura lateral e irreversível com a rotação das vértebras fixada, não
pode ser corrigida por posicionamento ou esforço voluntário, quanto maior a
curvatura maior é a quantidade de rotação da vértebra. A inclinação do tronco
para frente produz uma giba posterior (ver fig. 5) na região torácica no lado
convexo da curva devido a rotação das vértebras e caixa torácica. a compressão
das costelas ocorre no lado côncavo da curvatura, e a separação das costelas
ocorre no lado convexo; resultado total, que é acentuado com inclinação para
frente, é a proeminência das costelas e escápula posteriormente no lado convexo
da curvatura.
Etiologia:
a) Idiopática - 75 a 85% dos casos. Geralmente adolescentes e do sexo feminino.
Teoria das possíveis causas: mal formação óssea durante o desenvolvimento, fraqueza
muscular assimétrica, má postura.
b) Neuromuscular - 15 a 20% dos casos. Causas neuropatológicas (p.ex. PC), miopatológicas
(p.ex. distrofia muscular).
c) Osteopática - ex: hemivértebra (falta da metade de uma vértebra na formação),
raquitismo, deslocamento da coluna etc.
Não-estrutural
ou funcional:
é a curvatura lateral reversível de posicionamento ou dinâmica, na qual não
existem alterações estruturais ou rotacionais das vértebras; a correção pode
ser através de inclinação para frente ou para o lado, alterações na posição
e alinhamento da coluna, contração muscular. Em decúbito dorsal a curva desaparece
e é também chamada de escoliose postural.
Etiologia:
a) Má postura, tanto sentado quanto em pé deslocando o peso do corpo para um
lado;
b) Espasmo muscular;
c) Dor muscular devido a compressão de raiz nervosa;
d) Discrepância no comprimento das pernas.
O formato
das curvas pode ser em C, geralmente descompensada, um ombro mais alto no lado
convexo e o quadril mais alto no lado côncavo; ou em S: mais comum em idiopáticas,
geralmente uma curvatura torácica a direita e lombar a esquerda. O ombro fica
alto no mesmo lado do quadril alto.
Quanto mais grave a curvatura maior é a rotação, maior o impacto e alterações
nos sistemas cardiopulmonares, como diminuição da capacidade pulmonar e hipertrofia
do coração devido a hipertensão pulmonar.
A medida da
escoliose é feita pelo método de Cobb, que é feito traçando-se uma linha perpendicular
à margem superior da vértebra que mais se inclina na direção da concavidade,
e outra na borda inferior da vértebra com maior angulação na direção da concavidade.
O ângulo dessas linhas que se transeccionam é notado e registrado. O exemplo
da aplicação do método de Cobb está na figura abaixo:
A gravidade
da escoliose é diretamente proporcional à angulação da curva. Sendo assim, sua
classificação é feita da seguinte maneira:
Escoliose
leve: menos de 20º. As menores de 10º são consideradas normais e não requerem
tratamento.
Moderada:
20 a 40º.
Grave: 40
a 50º ou mais.
Para diagnosticar
o problema, a pessoa deve consultar um médico que prescreverá o tratamento.
Este pode ser:
Conservador:
retarda a progressão da deformidade. O método a ser utilizado depende da localização,
gravidade, idade e da progressão da deformidade. É geralmente indicado para
curvaturas entre 18 e 40°.
Os métodos utilizados são:
1. Colete de Milwaukee
2. Fisioterapia: cinesioterapia e alongamento para corrigir as descompensações
musculares. Atualmente é muito indicado o tratamento postural do tipo RPG, onde
é aplicado alongamento em cadeia, tendo ótimo resultados em adolescentes.
Cirúrgico:
geralmente para curvaturas não tratáveis com os métodos conservadores, esteticamente
inadequadas e com dor insuportável. Nesse caso também é indicado o tratamento
fisioterápico, pré e pós cirúrgico. No pré, é realizada cinesioterapia para
alongar as estruturas retraídas, melhorar a função pulmonar e fortalecer a
musculatura do tronco. No pós, o paciente é colocado em tração esquelética,
necessitando da intervenção de exercícios.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1. CALAIS-GERMAN, B. Anatomia para o movimento. São Paulo, Manole, 1992.
2. KENDALL, H. O. Músculos- Provas e Funções. São Paulo, Manole, 1995.
3. KNOPLICH,J. Enfermidades na coluna vertebral. São Paulo, Panamed, 1983.
4. LAPIERRE, A. A reeducação Física. São Paulo, Manole, 1980.
5. PEARCE, E. Manual de Anatomia y Fisiologia. Barcelona, Elicien, 1981.
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